Amor
Odioso sentimento
Maldita emoção
Soturno se esgueira
Invade meu peito
Mas com que direito?
Com que permissão?
O corpo-escudo
Domínio perfeito
Se abre desfeito
E sem proteção
Não luto
Aceito a inundação
E para esvaziar
Não resta opção
Mais do que chorar
E escrever
Odioso sentimento?
Maldita emoção?
Se um quê já sem jeito
Insiste em doer
Ao menos aspiro
A inspiração
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Enquanto eu viajo, posto coisas antigas
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Bukowski entende
Em mim
Estou cansado desses rostos tantos
Que tanto parecem e nada me dizem
Cansado dessa eterna embriaguez
Do entorpecimento de meu ser pela vontade vossa
Estar vivo não é o mesmo que existir
E por onde ando só vejo uma multidão de corpos
Quando não me enerva, o mundo me entristece
Ficar sozinho seria bom, não fosse essa maldita solidão
Estou cansado desses rostos tantos
Que tanto parecem e nada me dizem
Cansado dessa eterna embriaguez
Do entorpecimento de meu ser pela vontade vossa
Estar vivo não é o mesmo que existir
E por onde ando só vejo uma multidão de corpos
Quando não me enerva, o mundo me entristece
Ficar sozinho seria bom, não fosse essa maldita solidão
domingo, 19 de dezembro de 2010
Pequena provocação
Amém
Eu é que não vou gastar dinheiro
Comprando uma vaga no céu
Eu sou brasileiro!
Já tô acostumado com o calor
Eu é que não vou gastar dinheiro
Comprando uma vaga no céu
Eu sou brasileiro!
Já tô acostumado com o calor
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Mais uma canção
Calmaria e tormenta
Navego sem cais, não tendo aonde ir
Eu fico em paz
O mar, já sem mais, não tenta impedir
O que a maré faz
Até que o acaso me encontra e me traz
De volta para ti
Tormenta que cessa o meu tormento
A calmaria me puxa para trás
As ondas escuras que quebram o vento
Por dentro quebram ainda mais
Respingos de água e sal do oceano
Eu sedento querendo entender
É só um momento, vão durar anos
A tempestade que vem de você?
Queria naufragar
Me afogar
Deixar aqui jamais
Navego sem cais, não tendo aonde ir
Eu fico em paz
O mar, já sem mais, não tenta impedir
O que a maré faz
Até que o acaso me encontra e me traz
De volta para ti
Tormenta que cessa o meu tormento
A calmaria me puxa para trás
As ondas escuras que quebram o vento
Por dentro quebram ainda mais
Respingos de água e sal do oceano
Eu sedento querendo entender
É só um momento, vão durar anos
A tempestade que vem de você?
Queria naufragar
Me afogar
Deixar aqui jamais
sábado, 4 de dezembro de 2010
Crise de insônia
Olhares
Os meus olhos já estão cansados
Tanto que procuram não ver
E mesmo esgueirando escondido
Evitando aquilo que quero
Mas espero nunca encontrar
Um aflito acaso acontece:
Seu olhar, e a luz que venero
De qualquer sem jeito
Minhas cicatrizes ainda doem
Você fala de um dia ruim
Eu tenho uma vida inteira
Os meus olhos já estão cansados
Tanto que procuram não ver
E mesmo esgueirando escondido
Evitando aquilo que quero
Mas espero nunca encontrar
Um aflito acaso acontece:
Seu olhar, e a luz que venero
De qualquer sem jeito
Minhas cicatrizes ainda doem
Você fala de um dia ruim
Eu tenho uma vida inteira
domingo, 28 de novembro de 2010
Pra quebrar o silêncio
Sei lá
Há dias de gozo
Há dias de dor
Mas hoje eu estou assim...
Sei lá!
Sem nada por dentro
Orvalho ou relento
Começo ainda do fim
Ou já
Os versos mais belos
As luzes mais sujas
Que isso importa às linhas mais tortas
Mais do que as lutas
Mais do que as portas
Que levam a infernos e céus
Enfim
Não é tão ruim
Ficar sem a cota
Ruim é perder, sentir que perdeu
Não acho mais deus
Ateu ou diabo
Também não procuro
Que sumam as rotas!
E girem as rodas
E caiam as folhas
Adeus às areias
Insistam em passar!
Vou continuar meu
Assim
Sei lá!
Há dias de gozo
Há dias de dor
Mas hoje eu estou assim...
Sei lá!
Sem nada por dentro
Orvalho ou relento
Começo ainda do fim
Ou já
Os versos mais belos
As luzes mais sujas
Que isso importa às linhas mais tortas
Mais do que as lutas
Mais do que as portas
Que levam a infernos e céus
Enfim
Não é tão ruim
Ficar sem a cota
Ruim é perder, sentir que perdeu
Não acho mais deus
Ateu ou diabo
Também não procuro
Que sumam as rotas!
E girem as rodas
E caiam as folhas
Adeus às areias
Insistam em passar!
Vou continuar meu
Assim
Sei lá!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Tenho achado muita graça
Ah, a risada
Escárnio maldoso da vida
Na fuga mal planejada
Da ilusão repetida
Escárnio maldoso da vida
Na fuga mal planejada
Da ilusão repetida
sábado, 6 de novembro de 2010
Para o blog não ficar parado
Enquanto o tempo se esvai
Percebo que ele me arrasta
E acabo me entorpecendo
Engolindo vitriol
Não é a dor que me faz pensar
É o pensar que me faz dor
Percebo que ele me arrasta
E acabo me entorpecendo
Engolindo vitriol
Não é a dor que me faz pensar
É o pensar que me faz dor
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Postagem inspira postagem
Eu sem mim
A dor insistente que pulsa em meu peito
Me traz as lembranças que nunca se vão
Na falta de jeito escondo o passado
Esforço dantesto de não revelar
Pois saiba que cada vez em que minto
Eu vago sozinho em rumo incerto
Meu carinho, meu afeto
Que saudade eu sinto de te transpassar
A dor insistente que pulsa em meu peito
Me traz as lembranças que nunca se vão
Na falta de jeito escondo o passado
Esforço dantesto de não revelar
Pois saiba que cada vez em que minto
Eu vago sozinho em rumo incerto
Meu carinho, meu afeto
Que saudade eu sinto de te transpassar
sábado, 23 de outubro de 2010
Na dúvida, postei
Antes de mais nada, não, não é esse o texto que eu estava tentando terminar. Fiquei na dúvida se postava ou não esse poema, mas resolvi ligar o foda-se. Mais uma vez, um poema que tem a rosa como elemento central. A rosa me persegue. Não é à toa que a gravei na minha pele.

Hoje eu vi uma rosa jogada no chão.
A mistura da sujeira da sarjeta com a beleza da flor foi um choque para mim.
As pétalas ainda não haviam desabrochado, mas o vermelho já manchava o asfalto.
Em um beco qualquer, como se fosse uma planta qualquer, e não a mais bela das flores.
Quis tocar sua pele aveludada, e envolvê-la com minhas mãos.
Quis levá-la para longe, afastá-la do beco imundo onde se encontrava.
Mas não podia.
Não sabia o porquê de ela ter caído, nem sabia se queria se levantar.
Não era minha a decisão, e sim do cabo que a desprendeu.
Achei uma rosa caída no chão.
E a tristeza que me invadiu era a certeza de que nada podia fazer para impedi-la de murchar.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Enquanto eu tento terminar um texto...
A ideia é momento
A escrita é tensão
Entre o autor e o papel
Entre a caneta e a mão
A escrita é tensão
Entre o autor e o papel
Entre a caneta e a mão
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Mais um conto publicado
Recebi hoje algumas (muitas) cópias da Coletânea lançada esse ano pelo Concurso Municipal de Contos de Niterói. Como nas duas últimas edições, tenho um conto publicado nesse pequeno livro. Acabei lembrando do primeiro concurso literário do qual participei, que me levou a escrever meu primeiro conto. O conto foi publicado pelo 1º Prêmio ISAT, com o apoio da livraria Nobel. Como o contrato de direitos autorais já venceu, posso colocar o conto aqui no blog sem problemas... é emo, é brega, mas pra mim é válido; foi minha primeira aventura na prosa, e sem ela eu não teria produzido tanto quanto já produzi nos últimos três anos.
12/03/2007 Segunda-feira
Já é tarde. Após mais um dia desperdiçado de minha existência estou indo dormir. Nada de interessante me ocorre para escrever aqui. Nem sei o porque de continuar mantendo esse diário. Não tenho o que acrescentar ao resto dessas páginas que foram preenchidas do mesmo jeito com que as preencho agora. Como sempre, acordo cedo para ir a um lugar onde continuo trabalhando sem vontade. E sem expectativas de melhora. Ainda limpo o apartamento ao chegar, vendo o sol se pôr por detrás desse mar cinzento. Janto em frente à televisão, assistindo ao telejornal. E insistentemente pego esse caderno surrado para descrever mais uma vez o cotidiano de alguém sem convívio social.
13/03/2007 Terça-feira
Um fato estranho aconteceu na noite passada. Acordei assustado, me sentindo perdido. Olhei à minha volta e constatei que faltavam alguns minutos para as três no relógio digital que fica em cima da cabeceira. Vi um vulto com o canto do olho e logo me virei para saber o que era. Fiquei sem reação por um momento. Uma mulher se encontrava no sofá que deixo perto da janela, onde me sento para ler nos fins de semana, único tempo livre que tenho.
Estava nua, e sua pele refletia a pouca luz do luar não eclipsada pelos prédios que se erguem por toda volta. Abraçava os próprios joelhos, e sua figura reclinada a fazia parecer vulnerável. Longos fios de um cabelo negro como eu nunca tinha visto lhe cobriam a face, o que me impedia de ver suas feições. Mas de um modo surpreendente sabia que era bela. Não mexia um músculo sequer, tanto ela quanto eu. Meu coração pulsava por todo o corpo, e minha respiração estava acelerada.
Após o choque inicial não contive um grito: “Quem é você?”. Não recebi nenhuma resposta. Levantei e apanhei o paletó que sempre ponho na porta do armário, pronto para a manhã seguinte. Um vento gelado entrava pela janela e, pensei comigo mesmo, poderia protegê-la um pouco do frio. Aproximei-me devagar, cauteloso, ainda temendo aquele silêncio. Ela continuava imóvel. Joguei o paletó sobre os ombros desnudos daquela intrusa. Ao que me parece logo ao ter sentido o toque do pano, a invasora ergueu o rosto devagar em minha direção.
Pela manhã sentia enxaqueca. Completamente confuso de início, como em todas as vezes que temos um sonho tão real. Não consegui me lembrar do semblante dela, e não consigo deixar de pensar nisso todo instante. Não vou negar, estou um pouco apreensivo indo me deitar, tendo a imagem borrada de uma estranha em mente.
14/03/2007 Quarta-feira
Saí do sono me sentindo desnorteado de novo na última madrugada. Ainda havia algum tempo de escuridão antes do dia se impor. Procurei um motivo para estar desperto. Novamente aquele vulto me visitou. Encontrava-se parado num canto do quarto. Pude ver seus olhos escuros. Seu olhar era vazio, porém continha um ardor cuja origem não sei explicar. Olhava fixa para mim. Dessa vez minha voz saiu com um tom de medo: “O que quer comigo?”. Nenhum ruído ecoou após minha voz.
Atraído por aquele olhar penetrante, e incentivado pela curiosidade comum à natureza humana, pus meus pés no chão. Num passo arrastado fui seguindo até minha visitante. Conforme chegava cada vez mais perto sentia um perfume inebriante me envolvendo. Não me lembro com clareza do depois, tudo o que tenho são imagens turvas de uma boca fina. Lábios cor de sangue, contrastados por uma palidez mórbida, que eu buscava voraz em um beijo.
Minha fronte pulsava quando acordei. Tomei uma aspirina antes de seguir rumo à rotina. Até o tom cinza pareceu se perder no percurso de volta. Preciso descobrir quem é essa doce hóspede, e o porque de estar aqui. Como chega e como vai embora. Tenho que saber... Ao mesmo tempo, começo a formular outra dúvida. Será que estou louco? Finalmente essa vida de exclusão que tenho vivido pode estar me tirando da razão. De qualquer forma, vou descobrir hoje. Decidi espera-la. Vou ficar acordado até que possa encontra-la de novo.
15/03/2007 Quinta-feira
Mantive-me forte na vigília, xícara após xícara de café. Meus devaneios me ajudaram a não cair na tentação de Morfeu. Imaginava a voz de minha musa. Podia sentir seu cheiro embriagante como se ela estivesse ali presente. A imagem de seu corpo desnudo também foi outra de minhas companheiras. Ela não veio. Essa é a prova de que realmente estou insano.
Minha frustração veio junto com a claridade matinal, que insistia em se espalhar pelo aposento. Tomei um banho demorado, pensando no que tinha se sucedido. É óbvio que ela não existe. Foi apenas uma ilusão, criada por um homem solitário necessitado de companhia. Ainda assim é difícil admitir que minha diva é um delírio, apenas um engano de sentidos causado pelo confinamento ao hábito. Hábito este que estou fadado a manter. Só o que ganhei foi mais uma desilusão. E olheiras, as quais pretendo fazer com que desapareçam com uma noite bem dormida.
16/03/2007 Sexta-feira
Abri os olhos, aturdido. Não pude deixar de sorrir quando percebi o peso de um braço fino sobre meu peito. Ela não é uma alucinação. Estava deitada na cama, ao meu lado, como que a me esperar. Virei em sua direção e pude percorrer as curvas sinuosas daquela jovem, embebedar-me na mulher dos sonhos, para mim de um modo mais literal que o usado em metáfora.
Não sei dizer ao certo, mas incontáveis horas pareceram se passar enquanto estava com meu anjo, intoxicado pela sua fragrância divina. Anjo, como defini-la de outro modo? Melhor palavra não há. O anjo salvador que veio para me resgatar, que me trouxe de volta da constância que me fazia sentir morto.
Não sai, fiquei em casa quando amanheci com a familiar dor de cabeça. Preço baixo que pago pelas noites celestiais que tenho tido com essa deusa. O emprego não importa mais. Nada mais importa. Nada além dela. A garrafa que encontrei empoeirada no fundo do armário não esta ajudando. Preciso dormir, a qualquer custo.
Ainda bem que ainda restavam algumas pílulas daquela medicação que tomei naquela crise de insônia que tive faz alguns meses. Estou indo meu anjo, já sinto meu corpo ficando pesado. E não se preocupe, não achei que uma cápsula fosse bastar. Engoli tudo o restava no vidro empurrado com a vodka. Dessa vez vou passar bastante tempo com você.
Anjo
12/03/2007 Segunda-feira
Já é tarde. Após mais um dia desperdiçado de minha existência estou indo dormir. Nada de interessante me ocorre para escrever aqui. Nem sei o porque de continuar mantendo esse diário. Não tenho o que acrescentar ao resto dessas páginas que foram preenchidas do mesmo jeito com que as preencho agora. Como sempre, acordo cedo para ir a um lugar onde continuo trabalhando sem vontade. E sem expectativas de melhora. Ainda limpo o apartamento ao chegar, vendo o sol se pôr por detrás desse mar cinzento. Janto em frente à televisão, assistindo ao telejornal. E insistentemente pego esse caderno surrado para descrever mais uma vez o cotidiano de alguém sem convívio social.
13/03/2007 Terça-feira
Um fato estranho aconteceu na noite passada. Acordei assustado, me sentindo perdido. Olhei à minha volta e constatei que faltavam alguns minutos para as três no relógio digital que fica em cima da cabeceira. Vi um vulto com o canto do olho e logo me virei para saber o que era. Fiquei sem reação por um momento. Uma mulher se encontrava no sofá que deixo perto da janela, onde me sento para ler nos fins de semana, único tempo livre que tenho.
Estava nua, e sua pele refletia a pouca luz do luar não eclipsada pelos prédios que se erguem por toda volta. Abraçava os próprios joelhos, e sua figura reclinada a fazia parecer vulnerável. Longos fios de um cabelo negro como eu nunca tinha visto lhe cobriam a face, o que me impedia de ver suas feições. Mas de um modo surpreendente sabia que era bela. Não mexia um músculo sequer, tanto ela quanto eu. Meu coração pulsava por todo o corpo, e minha respiração estava acelerada.
Após o choque inicial não contive um grito: “Quem é você?”. Não recebi nenhuma resposta. Levantei e apanhei o paletó que sempre ponho na porta do armário, pronto para a manhã seguinte. Um vento gelado entrava pela janela e, pensei comigo mesmo, poderia protegê-la um pouco do frio. Aproximei-me devagar, cauteloso, ainda temendo aquele silêncio. Ela continuava imóvel. Joguei o paletó sobre os ombros desnudos daquela intrusa. Ao que me parece logo ao ter sentido o toque do pano, a invasora ergueu o rosto devagar em minha direção.
Pela manhã sentia enxaqueca. Completamente confuso de início, como em todas as vezes que temos um sonho tão real. Não consegui me lembrar do semblante dela, e não consigo deixar de pensar nisso todo instante. Não vou negar, estou um pouco apreensivo indo me deitar, tendo a imagem borrada de uma estranha em mente.
14/03/2007 Quarta-feira
Saí do sono me sentindo desnorteado de novo na última madrugada. Ainda havia algum tempo de escuridão antes do dia se impor. Procurei um motivo para estar desperto. Novamente aquele vulto me visitou. Encontrava-se parado num canto do quarto. Pude ver seus olhos escuros. Seu olhar era vazio, porém continha um ardor cuja origem não sei explicar. Olhava fixa para mim. Dessa vez minha voz saiu com um tom de medo: “O que quer comigo?”. Nenhum ruído ecoou após minha voz.
Atraído por aquele olhar penetrante, e incentivado pela curiosidade comum à natureza humana, pus meus pés no chão. Num passo arrastado fui seguindo até minha visitante. Conforme chegava cada vez mais perto sentia um perfume inebriante me envolvendo. Não me lembro com clareza do depois, tudo o que tenho são imagens turvas de uma boca fina. Lábios cor de sangue, contrastados por uma palidez mórbida, que eu buscava voraz em um beijo.
Minha fronte pulsava quando acordei. Tomei uma aspirina antes de seguir rumo à rotina. Até o tom cinza pareceu se perder no percurso de volta. Preciso descobrir quem é essa doce hóspede, e o porque de estar aqui. Como chega e como vai embora. Tenho que saber... Ao mesmo tempo, começo a formular outra dúvida. Será que estou louco? Finalmente essa vida de exclusão que tenho vivido pode estar me tirando da razão. De qualquer forma, vou descobrir hoje. Decidi espera-la. Vou ficar acordado até que possa encontra-la de novo.
15/03/2007 Quinta-feira
Mantive-me forte na vigília, xícara após xícara de café. Meus devaneios me ajudaram a não cair na tentação de Morfeu. Imaginava a voz de minha musa. Podia sentir seu cheiro embriagante como se ela estivesse ali presente. A imagem de seu corpo desnudo também foi outra de minhas companheiras. Ela não veio. Essa é a prova de que realmente estou insano.
Minha frustração veio junto com a claridade matinal, que insistia em se espalhar pelo aposento. Tomei um banho demorado, pensando no que tinha se sucedido. É óbvio que ela não existe. Foi apenas uma ilusão, criada por um homem solitário necessitado de companhia. Ainda assim é difícil admitir que minha diva é um delírio, apenas um engano de sentidos causado pelo confinamento ao hábito. Hábito este que estou fadado a manter. Só o que ganhei foi mais uma desilusão. E olheiras, as quais pretendo fazer com que desapareçam com uma noite bem dormida.
16/03/2007 Sexta-feira
Abri os olhos, aturdido. Não pude deixar de sorrir quando percebi o peso de um braço fino sobre meu peito. Ela não é uma alucinação. Estava deitada na cama, ao meu lado, como que a me esperar. Virei em sua direção e pude percorrer as curvas sinuosas daquela jovem, embebedar-me na mulher dos sonhos, para mim de um modo mais literal que o usado em metáfora.
Não sei dizer ao certo, mas incontáveis horas pareceram se passar enquanto estava com meu anjo, intoxicado pela sua fragrância divina. Anjo, como defini-la de outro modo? Melhor palavra não há. O anjo salvador que veio para me resgatar, que me trouxe de volta da constância que me fazia sentir morto.
Não sai, fiquei em casa quando amanheci com a familiar dor de cabeça. Preço baixo que pago pelas noites celestiais que tenho tido com essa deusa. O emprego não importa mais. Nada mais importa. Nada além dela. A garrafa que encontrei empoeirada no fundo do armário não esta ajudando. Preciso dormir, a qualquer custo.
Ainda bem que ainda restavam algumas pílulas daquela medicação que tomei naquela crise de insônia que tive faz alguns meses. Estou indo meu anjo, já sinto meu corpo ficando pesado. E não se preocupe, não achei que uma cápsula fosse bastar. Engoli tudo o restava no vidro empurrado com a vodka. Dessa vez vou passar bastante tempo com você.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
É velho, mas tá novo!
O que é você?
Será que é gente, que fala, que pensa
Que age, que grita, que não quer ceder?
Ou gente que esconde, que perde, disfarça
Que dorme acordada? O que é você?
Será que é bicho, que pede, que geme
Um pão, um osso, um carinho, um abraço?
Será um ator que olha das grades
E ri com a platéia querendo esquecer?
Será que é máquina que sabe e computa
Diz e sim e diz não olhando pro chão?
Seu rosto nas sombras não me deixa ver
É tudo, é nada? O que é você?
Será que ainda sente, que chora da dor
Da angústia, do gozo, do frio, do ser?
O que te machuca? Que boca te beija?
Qual mão te acalenta e qual te faz sofrer?
Talvez já não ache, talvez já não cante
Talvez não mais vida, sangrar e prazer
Se olhe no espelho, me diga sua sina
Preciso entender, o que é você?
Será que é gente, que fala, que pensa
Que age, que grita, que não quer ceder?
Ou gente que esconde, que perde, disfarça
Que dorme acordada? O que é você?
Será que é bicho, que pede, que geme
Um pão, um osso, um carinho, um abraço?
Será um ator que olha das grades
E ri com a platéia querendo esquecer?
Será que é máquina que sabe e computa
Diz e sim e diz não olhando pro chão?
Seu rosto nas sombras não me deixa ver
É tudo, é nada? O que é você?
Será que ainda sente, que chora da dor
Da angústia, do gozo, do frio, do ser?
O que te machuca? Que boca te beija?
Qual mão te acalenta e qual te faz sofrer?
Talvez já não ache, talvez já não cante
Talvez não mais vida, sangrar e prazer
Se olhe no espelho, me diga sua sina
Preciso entender, o que é você?
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Tem poema tão rimado que vira música
Possessão
A cada esquina, em todo lugar
Um prazer secreto pronto para ser explorado
Sua sede de ser quero saciar
Não faz mal errar em um mundo tão errado
Feche os olhos, se deixe levar
Eu tenho o que ninguém mais pode te mostrar
Decadência é não aproveitar
O frenesi de cada pulsação
Quando sentir arder em si o desejar
Atenda sem nenhuma hesitação
Eu sei que você quer provar da liberdade
Estou aqui para te ajudar
Rejeite a ilusão de uma só verdade
Escolha o veneno que melhor lhe agradar
Feche os olhos, se deixe levar
Eu tenho o que ninguém mais pode te mostrar
Feche os olhos, me deixe entrar
Eu tenho o que ninguém mais pode te mostrar
Feche os olhos
A cada esquina, em todo lugar
Um prazer secreto pronto para ser explorado
Sua sede de ser quero saciar
Não faz mal errar em um mundo tão errado
Feche os olhos, se deixe levar
Eu tenho o que ninguém mais pode te mostrar
Decadência é não aproveitar
O frenesi de cada pulsação
Quando sentir arder em si o desejar
Atenda sem nenhuma hesitação
Eu sei que você quer provar da liberdade
Estou aqui para te ajudar
Rejeite a ilusão de uma só verdade
Escolha o veneno que melhor lhe agradar
Feche os olhos, se deixe levar
Eu tenho o que ninguém mais pode te mostrar
Feche os olhos, me deixe entrar
Eu tenho o que ninguém mais pode te mostrar
Feche os olhos
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Não dormir às vezes é útil
Faça um pedido
Eu chego perto do abismo
E olho para o fundo
Faço um pedido pra minha estrela decadente
Eu desejo, eu desejo
Que me envie outra sombra
Outro brilho de um sonho que me acorde de repente
Eu desejo que me guie
Rumo à queda mais profunda
Às certezas e verdades que entorpecem minha mente
Quero mais que só um beijo
Quero mais que uma noite
Eu desejo duas almas juntas em prazeres loucos
Eu desejo, eu desejo
O querer é muito pouco
Eu chego perto do abismo
E olho para o fundo
Faço um pedido pra minha estrela decadente
Eu desejo, eu desejo
Que me envie outra sombra
Outro brilho de um sonho que me acorde de repente
Eu desejo que me guie
Rumo à queda mais profunda
Às certezas e verdades que entorpecem minha mente
Quero mais que só um beijo
Quero mais que uma noite
Eu desejo duas almas juntas em prazeres loucos
Eu desejo, eu desejo
O querer é muito pouco
sábado, 2 de outubro de 2010
Pra quem lê Baudelaire
Embriagai-vos
Quando desperto da vida e consciente da realidade
Embriagai-vos de poesia!
Que cries infinitos devaneios para preencher toda essa incoerência.
Mas quando os versos já forem demais, sem serem suficientes para que sejas enganado
Embriagai-vos de vinho!
De virtudes? Não aconselho.
Através delas não ultrapassarás limites, no cume ou no abismo.
E de que valerá a viagem entre o nascer e o morrer sem que possas zombar de sua falta de
nexo?
Minha memória é recortada entre alucinações e esquecimentos
Quando desperto da vida e consciente da realidade
Embriagai-vos de poesia!
Que cries infinitos devaneios para preencher toda essa incoerência.
Mas quando os versos já forem demais, sem serem suficientes para que sejas enganado
Embriagai-vos de vinho!
De virtudes? Não aconselho.
Através delas não ultrapassarás limites, no cume ou no abismo.
E de que valerá a viagem entre o nascer e o morrer sem que possas zombar de sua falta de
nexo?
Minha memória é recortada entre alucinações e esquecimentos
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Você conhece Paris?
O que é necessário para se conhecer um lugar? Em um mundo cada vez mais conectado por uma rede de informação, fica fácil acessar fotografias, depoimentos, vídeos. Tudo é mediado por uma tela, mas, ainda assim, com poucos cliques podemos ver lugares que nunca visitamos, ler sobre a cultura e a história daquele lugar, adicionar os moradores em uma rede social qualquer. Conhecer um lugar não se trata disso? De ver o que ainda não viu, descobrir o que ainda não sabe, conhecer pessoas que ainda não conhece? Não é mais necessário sair da frente de um computador para conhecer o mundo. É possível ser um especialista em Paris sem nunca ter ido a Paris. E isso só tende a se intensificar, com a criação de novas tecnologias, como o aprimoramento do Google Maps para uma visão em primeira pessoa de todas as ruas do globo.
Mas se é assim, porque visitar um lugar é tão diferente do que conhecê-lo à distância? Na tela falta a proximidade. A tela não reproduz a vivência, o fazer parte de uma realidade diferente daquela encontrada no seu cotidiano. É fácil ver fotografias, mas é preciso sentir os cheiros de um lugar, sentir os gostos, os toques. É fácil coletar informações listadas, mas é preciso descobrir como a história e a cultura têm efeito na prática. É fácil falar com pessoas pelo MSN, mas para entender as pessoas é preciso experimentar o seu modo de vida. É isso que faz a diferença, as pessoas são diferentes em cada lugar, e também é diferente o modo como elas interagem com cada lugar.
Talvez o problema esteja com o verbo. “Conhecer” é muito vago, até porque nos satisfazemos muito fácil com a superficialidade. Melhor talvez seria escrever “viver”. Qualquer um pode conhecer Paris. Mas você já “viveu” Paris? E não só Paris, mas qualquer cidade, qualquer bairro, qualquer esquina. “Paris é única!”. Ora, Mucuri também!
Mas se é assim, porque visitar um lugar é tão diferente do que conhecê-lo à distância? Na tela falta a proximidade. A tela não reproduz a vivência, o fazer parte de uma realidade diferente daquela encontrada no seu cotidiano. É fácil ver fotografias, mas é preciso sentir os cheiros de um lugar, sentir os gostos, os toques. É fácil coletar informações listadas, mas é preciso descobrir como a história e a cultura têm efeito na prática. É fácil falar com pessoas pelo MSN, mas para entender as pessoas é preciso experimentar o seu modo de vida. É isso que faz a diferença, as pessoas são diferentes em cada lugar, e também é diferente o modo como elas interagem com cada lugar.
Talvez o problema esteja com o verbo. “Conhecer” é muito vago, até porque nos satisfazemos muito fácil com a superficialidade. Melhor talvez seria escrever “viver”. Qualquer um pode conhecer Paris. Mas você já “viveu” Paris? E não só Paris, mas qualquer cidade, qualquer bairro, qualquer esquina. “Paris é única!”. Ora, Mucuri também!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Resgatando um pensamento antes de viajar
Para lá
Se eu ando a esperar
Que o fim, que é sempre o mesmo
Surja e pare o caminhar
Onde ando, que me importa?
Curvas retas, linhas tortas
Vou guiando sem destino
Minhas passadas a esmo
Mas se não faz diferença
O percurso ou a desistência
Quero poder ver a vida
Enquanto ainda posso viver
Faço a minha corrida
Um pouco mais apressada
Ultrapasso os que se enganam
Os que andam só em círculo
Os que param em encruzilhadas
Os que mudam a direção
Toda estrada leva sempre a algum lugar
Lá
*Mas nem sempre é assim. Algumas vezes o apego torna cada caminho mais fácil ou mais difícil. A distância ou a proximidade é a escolha mais complicada; depende pouco do espaço, e muito da necessidade.
Se eu ando a esperar
Que o fim, que é sempre o mesmo
Surja e pare o caminhar
Onde ando, que me importa?
Curvas retas, linhas tortas
Vou guiando sem destino
Minhas passadas a esmo
Mas se não faz diferença
O percurso ou a desistência
Quero poder ver a vida
Enquanto ainda posso viver
Faço a minha corrida
Um pouco mais apressada
Ultrapasso os que se enganam
Os que andam só em círculo
Os que param em encruzilhadas
Os que mudam a direção
Toda estrada leva sempre a algum lugar
Lá
*Mas nem sempre é assim. Algumas vezes o apego torna cada caminho mais fácil ou mais difícil. A distância ou a proximidade é a escolha mais complicada; depende pouco do espaço, e muito da necessidade.
domingo, 19 de setembro de 2010
Assistir "Ponto de interrogação" dá nisso
‘’Para mim há sempre pontos de interrogação por todo o lado. A única coisa interessante são as perguntas, não as respostas. Saber do que se trata. É sempre este o problema. Do que se trata?O que é? Por quê?’’ (Henri Cartier-Bresson)
É a dúvida que move o mundo. É o descontentamento, a incerteza, o desejo pelo saber. Querer o que não se tem; essa é a condição necessária para buscar, para desvendar, para criar algo. E de que outra forma poderia se descobrir o que falta senão perguntando? A causa do progresso é o questionamento constante. Somado ao acaso.
A dúvida só pode ocorrer dentro de um momento único, e dentro de um contexto social, cultural e histórico. Contexto esse que não é fabricado, mas se constituí por acaso, sem intervenção racional. Não um acaso entendido como um conjunto de ocorrências caóticas, deslocadas no tempo e no espaço. Mas sim um acaso que se refere às consequências de todas as forças que atuam sobre a vida, e que são por demais complexas para que seja possível apreendê-las.
Com base nessa pequena reflexão, o Fotojornalismo pode ser compreendido como uma forma de duvidar por dois motivos. Primeiro, porque deslocar uma cena de seu contexto é analisar um aspecto da realidade, é produzir uma interpretação de um acontecimento. Uma fotografia não é isenta, da mesma forma que um fotógrafo não é isento. O acaso compõe a cena, mas é uma escolha intencional a de disparar a câmera em determinado momento, e em determinado ângulo. A decisão de fazer uma foto é a tentativa de capturar uma imagem, de compreender um evento. E só se pode tentar compreender algo que gere dúvidas, algo sobre o que questionamos.
Em segundo lugar, o enquadramento de uma cena não é apenas positivo, porque ressalta uma imagem; é também negativo, porque apaga um todo. Dessa forma, o produto final do Fotojornalismo não é uma certeza, mas um meio de gerar dúvidas. Quem olha uma fotografia deve se perguntar sobre o que foi deixado de fora, e por que. A fotografia também é um discurso, possui significado; não é meramente descritiva, como pode parecer em um primeiro momento.
A realidade é a mesma para todos; o que muda é a forma de percebê-la. E a única maneira de entender aquilo que percebemos é duvidando. A percepção e o questionamento da percepção: a fotografia é isso. Ao menos pode ser.
‘’Há mil maneiras de cozinhar um ovo, mas o ovo é sempre o mesmo. Temos que questionar, de saber do que se trata o tempo todo.’’ (Henri Cartier-Bresson)
É a dúvida que move o mundo. É o descontentamento, a incerteza, o desejo pelo saber. Querer o que não se tem; essa é a condição necessária para buscar, para desvendar, para criar algo. E de que outra forma poderia se descobrir o que falta senão perguntando? A causa do progresso é o questionamento constante. Somado ao acaso.
A dúvida só pode ocorrer dentro de um momento único, e dentro de um contexto social, cultural e histórico. Contexto esse que não é fabricado, mas se constituí por acaso, sem intervenção racional. Não um acaso entendido como um conjunto de ocorrências caóticas, deslocadas no tempo e no espaço. Mas sim um acaso que se refere às consequências de todas as forças que atuam sobre a vida, e que são por demais complexas para que seja possível apreendê-las.
Com base nessa pequena reflexão, o Fotojornalismo pode ser compreendido como uma forma de duvidar por dois motivos. Primeiro, porque deslocar uma cena de seu contexto é analisar um aspecto da realidade, é produzir uma interpretação de um acontecimento. Uma fotografia não é isenta, da mesma forma que um fotógrafo não é isento. O acaso compõe a cena, mas é uma escolha intencional a de disparar a câmera em determinado momento, e em determinado ângulo. A decisão de fazer uma foto é a tentativa de capturar uma imagem, de compreender um evento. E só se pode tentar compreender algo que gere dúvidas, algo sobre o que questionamos.
Em segundo lugar, o enquadramento de uma cena não é apenas positivo, porque ressalta uma imagem; é também negativo, porque apaga um todo. Dessa forma, o produto final do Fotojornalismo não é uma certeza, mas um meio de gerar dúvidas. Quem olha uma fotografia deve se perguntar sobre o que foi deixado de fora, e por que. A fotografia também é um discurso, possui significado; não é meramente descritiva, como pode parecer em um primeiro momento.
A realidade é a mesma para todos; o que muda é a forma de percebê-la. E a única maneira de entender aquilo que percebemos é duvidando. A percepção e o questionamento da percepção: a fotografia é isso. Ao menos pode ser.
‘’Há mil maneiras de cozinhar um ovo, mas o ovo é sempre o mesmo. Temos que questionar, de saber do que se trata o tempo todo.’’ (Henri Cartier-Bresson)
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Depois de uma semana niilista
Valia a pena resgatar um pensamento bem antigo.
Contraposto
De fato o amor dói
Mas enquanto você pergunta ‘Por que amar?’
Eu pergunto ‘Por que não sofrer?’
Contraposto
De fato o amor dói
Mas enquanto você pergunta ‘Por que amar?’
Eu pergunto ‘Por que não sofrer?’
domingo, 12 de setembro de 2010
Mais um poema
Eu sei que não vou manter o ritmo de postagem atual por muito tempo... mas, já que estou animado com a novidade do blog, quero continuar a postar com frequência por agora. Resolvi colocar um poema meio antigo, mas que diz um pouco de mim hoje.
Limbo
Vagando sem destino pelos meus sonhos incertos
Sem saber quando esperar pelo que não pode ser
Sinto as lembranças de um presente ainda por acontecer
E essa dor que me sufoca
E o único prazer que exalta a minha vida
É também o que aos poucos
Me mata, me fere, me corta
E até a existência vai seguindo equilibrando
A vontade do viver e a doce decadência
Limbo
Vagando sem destino pelos meus sonhos incertos
Sem saber quando esperar pelo que não pode ser
Sinto as lembranças de um presente ainda por acontecer
E essa dor que me sufoca
E o único prazer que exalta a minha vida
É também o que aos poucos
Me mata, me fere, me corta
E até a existência vai seguindo equilibrando
A vontade do viver e a doce decadência
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Nem tudo que é belo é sublime

Pinturas e retalhos
Me debato nos becos imundos
Perdido em meio à contramão
Nu e solitário pela noite
Busco descuidado o seu gosto
Toda dor aguça meu desejo
Toda raiva abre uma ferida
Mesmo que te encontre numa esquina
Troco seu prazer por outro não
A vida que foge das minhas veias
O amor que pulsa na minha carne
Quero descobrir o seu desprezo
Quero destruir seu belo rosto
A tinta que injeto em minhas veias
O sangue que escorre da minha carne
Quero exibir esse meu corpo
Feito de pinturas e retalhos
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Tem coisas que insistem em se repetir
Devaneio noturno
Eu traço sua forma, pinto seu rosto
Esboço a ilusão de alguns passos
Enceno conversas, ensaio acasos
Descubro confuso seu cheiro
Seu gosto
Será que me esperas atrás de algum talvez?
Ou apenas eu planejo um encontro improvável?
E se nos acharmos, então
Como fica a realidade?
Poderemos moldar a verdade
Como se fosse imaginação?
Tenho tanto medo de uma verdade ser incorrigível...
Por vezes penso que o melhor seria
Deixá-la continuar escondida
Viva apenas em minhas fantasias
Eu traço sua forma, pinto seu rosto
Esboço a ilusão de alguns passos
Enceno conversas, ensaio acasos
Descubro confuso seu cheiro
Seu gosto
Será que me esperas atrás de algum talvez?
Ou apenas eu planejo um encontro improvável?
E se nos acharmos, então
Como fica a realidade?
Poderemos moldar a verdade
Como se fosse imaginação?
Tenho tanto medo de uma verdade ser incorrigível...
Por vezes penso que o melhor seria
Deixá-la continuar escondida
Viva apenas em minhas fantasias
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Como tudo tem um porquê...
Não podia faltar uma explicação para esse blog. Eu relutei muito até decidir criar um blog para postar meus poemas e pensamentos. Isso porque eu tenho ciúme dos meus textos. Tudo que eu escrevo é parte de mim, e eu nunca gostei muito de me expor.
Enfim, eu queria publicá-los em algum momento, e como o mercado editorial dificilmente se abre para a poesia, um blog parecia a melhor solução. E eu só faço isso agora porque... sei lá. Em algum momento tinha que ser!
Tenho bastante material armazenado, e vou upar o material antigo intercalado com o novo, sem muita referência de espaço e tempo. Se você espera uma estória com início - meio - fim, não vai encontrar aqui. Saia e tente ler Hegel... boa sorte!
Mas, se você se importa menos com o tempo e mais com a arte, sinta-se à vontade. Inicio o blog com um aviso:
Enfim, eu queria publicá-los em algum momento, e como o mercado editorial dificilmente se abre para a poesia, um blog parecia a melhor solução. E eu só faço isso agora porque... sei lá. Em algum momento tinha que ser!
Tenho bastante material armazenado, e vou upar o material antigo intercalado com o novo, sem muita referência de espaço e tempo. Se você espera uma estória com início - meio - fim, não vai encontrar aqui. Saia e tente ler Hegel... boa sorte!
Mas, se você se importa menos com o tempo e mais com a arte, sinta-se à vontade. Inicio o blog com um aviso:
Eu escrevo os meus versos com uma tinta vermelha
Se o que cortou a carne ainda pulsa na memória
Se o sangue do retalho se recusa a estancar
Já não sei há quanto tempo por quanto tempo agora
Dói ganhar o quanto perco quanto meu erro acerta
E as marcas do meu corpo vão mostrando minha estória
Para os outros, cicatriz
Pra mim, ferida aberta
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