quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Você conhece Paris?

O que é necessário para se conhecer um lugar? Em um mundo cada vez mais conectado por uma rede de informação, fica fácil acessar fotografias, depoimentos, vídeos. Tudo é mediado por uma tela, mas, ainda assim, com poucos cliques podemos ver lugares que nunca visitamos, ler sobre a cultura e a história daquele lugar, adicionar os moradores em uma rede social qualquer. Conhecer um lugar não se trata disso? De ver o que ainda não viu, descobrir o que ainda não sabe, conhecer pessoas que ainda não conhece? Não é mais necessário sair da frente de um computador para conhecer o mundo. É possível ser um especialista em Paris sem nunca ter ido a Paris. E isso só tende a se intensificar, com a criação de novas tecnologias, como o aprimoramento do Google Maps para uma visão em primeira pessoa de todas as ruas do globo.
Mas se é assim, porque visitar um lugar é tão diferente do que conhecê-lo à distância? Na tela falta a proximidade. A tela não reproduz a vivência, o fazer parte de uma realidade diferente daquela encontrada no seu cotidiano. É fácil ver fotografias, mas é preciso sentir os cheiros de um lugar, sentir os gostos, os toques. É fácil coletar informações listadas, mas é preciso descobrir como a história e a cultura têm efeito na prática. É fácil falar com pessoas pelo MSN, mas para entender as pessoas é preciso experimentar o seu modo de vida. É isso que faz a diferença, as pessoas são diferentes em cada lugar, e também é diferente o modo como elas interagem com cada lugar.
Talvez o problema esteja com o verbo. “Conhecer” é muito vago, até porque nos satisfazemos muito fácil com a superficialidade. Melhor talvez seria escrever “viver”. Qualquer um pode conhecer Paris. Mas você já “viveu” Paris? E não só Paris, mas qualquer cidade, qualquer bairro, qualquer esquina. “Paris é única!”. Ora, Mucuri também!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Resgatando um pensamento antes de viajar

Para lá

Se eu ando a esperar
Que o fim, que é sempre o mesmo
Surja e pare o caminhar
Onde ando, que me importa?
Curvas retas, linhas tortas
Vou guiando sem destino
Minhas passadas a esmo

Mas se não faz diferença
O percurso ou a desistência
Quero poder ver a vida
Enquanto ainda posso viver

Faço a minha corrida
Um pouco mais apressada
Ultrapasso os que se enganam
Os que andam só em círculo
Os que param em encruzilhadas
Os que mudam a direção

Toda estrada leva sempre a algum lugar





*Mas nem sempre é assim. Algumas vezes o apego torna cada caminho mais fácil ou mais difícil. A distância ou a proximidade é a escolha mais complicada; depende pouco do espaço, e muito da necessidade.

domingo, 19 de setembro de 2010

Assistir "Ponto de interrogação" dá nisso

‘’Para mim há sempre pontos de interrogação por todo o lado. A única coisa interessante são as perguntas, não as respostas. Saber do que se trata. É sempre este o problema. Do que se trata?O que é? Por quê?’’ (Henri Cartier-Bresson)

É a dúvida que move o mundo. É o descontentamento, a incerteza, o desejo pelo saber. Querer o que não se tem; essa é a condição necessária para buscar, para desvendar, para criar algo. E de que outra forma poderia se descobrir o que falta senão perguntando? A causa do progresso é o questionamento constante. Somado ao acaso.
A dúvida só pode ocorrer dentro de um momento único, e dentro de um contexto social, cultural e histórico. Contexto esse que não é fabricado, mas se constituí por acaso, sem intervenção racional. Não um acaso entendido como um conjunto de ocorrências caóticas, deslocadas no tempo e no espaço. Mas sim um acaso que se refere às consequências de todas as forças que atuam sobre a vida, e que são por demais complexas para que seja possível apreendê-las.
Com base nessa pequena reflexão, o Fotojornalismo pode ser compreendido como uma forma de duvidar por dois motivos. Primeiro, porque deslocar uma cena de seu contexto é analisar um aspecto da realidade, é produzir uma interpretação de um acontecimento. Uma fotografia não é isenta, da mesma forma que um fotógrafo não é isento. O acaso compõe a cena, mas é uma escolha intencional a de disparar a câmera em determinado momento, e em determinado ângulo. A decisão de fazer uma foto é a tentativa de capturar uma imagem, de compreender um evento. E só se pode tentar compreender algo que gere dúvidas, algo sobre o que questionamos.
Em segundo lugar, o enquadramento de uma cena não é apenas positivo, porque ressalta uma imagem; é também negativo, porque apaga um todo. Dessa forma, o produto final do Fotojornalismo não é uma certeza, mas um meio de gerar dúvidas. Quem olha uma fotografia deve se perguntar sobre o que foi deixado de fora, e por que. A fotografia também é um discurso, possui significado; não é meramente descritiva, como pode parecer em um primeiro momento.
A realidade é a mesma para todos; o que muda é a forma de percebê-la. E a única maneira de entender aquilo que percebemos é duvidando. A percepção e o questionamento da percepção: a fotografia é isso. Ao menos pode ser.

‘’Há mil maneiras de cozinhar um ovo, mas o ovo é sempre o mesmo. Temos que questionar, de saber do que se trata o tempo todo.’’ (Henri Cartier-Bresson)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Depois de uma semana niilista

Valia a pena resgatar um pensamento bem antigo.

Contraposto


De fato o amor dói
Mas enquanto você pergunta ‘Por que amar?’
Eu pergunto ‘Por que não sofrer?’

domingo, 12 de setembro de 2010

Mais um poema

Eu sei que não vou manter o ritmo de postagem atual por muito tempo... mas, já que estou animado com a novidade do blog, quero continuar a postar com frequência por agora. Resolvi colocar um poema meio antigo, mas que diz um pouco de mim hoje.

Limbo

Vagando sem destino pelos meus sonhos incertos
Sem saber quando esperar pelo que não pode ser
Sinto as lembranças de um presente ainda por acontecer
E essa dor que me sufoca

E o único prazer que exalta a minha vida
É também o que aos poucos
Me mata, me fere, me corta

E até a existência vai seguindo equilibrando
A vontade do viver e a doce decadência

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nem tudo que é belo é sublime


Pinturas e retalhos

Me debato nos becos imundos
Perdido em meio à contramão
Nu e solitário pela noite
Busco descuidado o seu gosto

Toda dor aguça meu desejo
Toda raiva abre uma ferida
Mesmo que te encontre numa esquina
Troco seu prazer por outro não

A vida que foge das minhas veias
O amor que pulsa na minha carne
Quero descobrir o seu desprezo
Quero destruir seu belo rosto

A tinta que injeto em minhas veias
O sangue que escorre da minha carne
Quero exibir esse meu corpo
Feito de pinturas e retalhos

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tem coisas que insistem em se repetir

Devaneio noturno

Eu traço sua forma, pinto seu rosto
Esboço a ilusão de alguns passos
Enceno conversas, ensaio acasos
Descubro confuso seu cheiro
Seu gosto

Será que me esperas atrás de algum talvez?
Ou apenas eu planejo um encontro improvável?

E se nos acharmos, então
Como fica a realidade?
Poderemos moldar a verdade
Como se fosse imaginação?
Tenho tanto medo de uma verdade ser incorrigível...

Por vezes penso que o melhor seria
Deixá-la continuar escondida
Viva apenas em minhas fantasias

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Como tudo tem um porquê...

Não podia faltar uma explicação para esse blog. Eu relutei muito até decidir criar um blog para postar meus poemas e pensamentos. Isso porque eu tenho ciúme dos meus textos. Tudo que eu escrevo é parte de mim, e eu nunca gostei muito de me expor.
Enfim, eu queria publicá-los em algum momento, e como o mercado editorial dificilmente se abre para a poesia, um blog parecia a melhor solução. E eu só faço isso agora porque... sei lá. Em algum momento tinha que ser!
Tenho bastante material armazenado, e vou upar o material antigo intercalado com o novo, sem muita referência de espaço e tempo. Se você espera uma estória com início - meio - fim, não vai encontrar aqui. Saia e tente ler Hegel... boa sorte!
Mas, se você se importa menos com o tempo e mais com a arte, sinta-se à vontade. Inicio o blog com um aviso:


Eu escrevo os meus versos com uma tinta vermelha

Se o que cortou a carne ainda pulsa na memória
Se o sangue do retalho se recusa a estancar
Já não sei há quanto tempo por quanto tempo agora
Dói ganhar o quanto perco quanto meu erro acerta

E as marcas do meu corpo vão mostrando minha estória
Para os outros, cicatriz
Pra mim, ferida aberta
Licença Creative Commons
Com tinta Vermelha de Marco Vito Oddo é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Based on a work at comtintavermelha.blogspot.com.