sexta-feira, 25 de março de 2011

Niilismo e misantropia

Cadáveres

Milhões de corpos enchem as avenidas
Felizes vermes se arrastam pelo chão
A alegria decomposta em pedaços
Eu só percebo como mera distração

Quando já não existe a mínima vontade
De algo mais além do que te força a ser
Cada pessoa se torna um cadáver
E tudo cessa antes mesmo de nascer

Já se confunde amor por necrofilia
E eu me afundo nesse poço de descaso
Mas não sou eu por demais profundo
É esse mundo, imundo que é raso

Me corte a carne
Mostre seu desgosto
Me sinto vivo
Com o que me faz sangrar
Só minha dor
Me torna mais forte
Pois todo riso que eu vejo
Não está morto
É a morte

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