sexta-feira, 25 de março de 2011

Niilismo e misantropia

Cadáveres

Milhões de corpos enchem as avenidas
Felizes vermes se arrastam pelo chão
A alegria decomposta em pedaços
Eu só percebo como mera distração

Quando já não existe a mínima vontade
De algo mais além do que te força a ser
Cada pessoa se torna um cadáver
E tudo cessa antes mesmo de nascer

Já se confunde amor por necrofilia
E eu me afundo nesse poço de descaso
Mas não sou eu por demais profundo
É esse mundo, imundo que é raso

Me corte a carne
Mostre seu desgosto
Me sinto vivo
Com o que me faz sangrar
Só minha dor
Me torna mais forte
Pois todo riso que eu vejo
Não está morto
É a morte

quinta-feira, 10 de março de 2011

Experiência Semiótica

Depois de um longo tempo sem postagens, vou publicar algo diferente. Não tão diferente, mas que foi produzido de forma diferente. Dessa vez, ao invés de me deixar levar pela inspiração, tentei entendê-la. Tentei fazer o caminho inverso, e analisar a obra antes da produção. Escolhi o melhor tempo verbal, as figuras que reforçariam sentido, o tipo de rima que deveria prevalecer, a estrutura do texto. Só depois de pensar em quais detalhes o sentido que eu queria poderia ser traduzido que parei para escrever. Usem a imaginação para a trilha sonora.


Ciranda

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Brindamos de copo em copo
Até bebermos o bar

Nesse nosso grande jogo
Quem espera está fora
Tome tudo mais depressa
Pegue, puxe e passe agora

Se o efeito é passageiro
E o torpor adormecido
Abrimos outra garrafa
Misturamos comprimidos

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Usamos de corpo em corpo
E nos deixamos usar

Tocamos corpos estranhos
Cegos pela euforia
Nos vendemos por bem pouco
Outra dose de alegria

Escondemos o pudor
Nos desejos que expomos
Perdidos em outras bocas
Esquecemos de quem somos

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Vagamos de rua em rua
Sem saber onde chegar

Entornamos nossas vidas
Dos nossos medos fugimos
Orgulhosos da desgraça
Vomitamos e sorrimos

E caído na sarjeta
Com um copo em cada mão
Nós tornamos brincadeira
A nossa destruição

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Brindamos de copo em copa
Até bebermos o bar

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